Todos os anos, o Setembro Amarelo amplia uma conversa necessária sobre saúde mental, acolhimento e valorização da vida.
Em 2026, a campanha traz a mensagem “Escutar é estar presente”, chamando atenção para algo simples, mas importante: oferecer uma escuta atenta e sem julgamentos pode ser um primeiro passo para que alguém em sofrimento encontre apoio.
No ambiente corporativo, essa reflexão também merece espaço.
Afinal, falar sobre saúde mental no trabalho não significa apenas incentivar cada pessoa a cuidar de si. Também envolve olhar para o ambiente, as relações, a organização do trabalho, a qualidade da escuta e os caminhos disponíveis para buscar ajuda.
Uma campanha pode abrir espaço para a conversa. Mas o cuidado se constrói na rotina.
O cuidado não pode olhar apenas para o indivíduo
Quando se fala em saúde mental nas empresas, é comum que parte da discussão se concentre no indivíduo: como ele administra o estresse, estabelece limites ou cuida do próprio bem-estar.
Mas existe outra parte dessa equação.
Os riscos psicossociais estão relacionados à maneira como o trabalho é planejado, organizado e conduzido e à forma como as relações profissionais acontecem.
Na prática, isso muda a pergunta de “como o colaborador está lidando com o trabalho?” para também considerar “como o trabalho está impactando o colaborador?”
Essa mudança de perspectiva importa porque ações individuais de bem-estar podem contribuir, mas não substituem a atenção às condições em que o trabalho acontece.
Uma realidade que aparece nos afastamentos
Os números ajudam a dimensionar a importância desse olhar.
Em 2025, foram concedidos no Brasil 166.489 benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos de ansiedade e outros 126.608 relacionados a episódios depressivos, segundo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Globalmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 12 bilhões de dias de trabalho sejam perdidos todos os anos em decorrência da depressão e da ansiedade.
Os afastamentos tornam uma parte dessa realidade visível. Mas o cuidado não deve começar somente quando uma pessoa precisa se afastar.
Por isso, a OMS recomenda uma atuação que envolva diferentes frentes:
Prevenir: observar e atuar sobre fatores relacionados ao ambiente e à organização do trabalho que possam representar riscos à saúde mental.
Promover: ampliar informação, reduzir estigmas e contribuir para uma cultura em que falar sobre saúde mental aconteça com mais naturalidade.
Apoiar: criar caminhos para que quem precisa de ajuda saiba onde encontrá-la e possa acessar o cuidado adequado.
Escutar é importante. Saber direcionar também.
Criar ambientes em que as pessoas encontrem espaço para falar e sejam tratadas com respeito faz parte de uma cultura de cuidado.
Colegas e lideranças podem contribuir oferecendo uma escuta atenta, percebendo mudanças de comportamento e acolhendo alguém que esteja passando por um momento difícil.
Mas existe uma diferença importante entre acolher e assumir o papel de um profissional de saúde.
Não cabe ao gestor, ao RH ou aos colegas diagnosticar ou solucionar uma situação de sofrimento emocional.
Quando necessário, é importante que a pessoa saiba que pode procurar ajuda profissional e, principalmente, saiba onde encontrá-la.
É nesse ponto que informação e acesso também passam a fazer parte do cuidado.
Os benefícios de saúde podem fazer parte dessa rede de apoio
Dependendo dos benefícios oferecidos pela empresa e das condições contratadas, os colaboradores podem ter acesso a diferentes recursos relacionados à saúde mental e ao bem-estar, como:
- consultas com psicólogos e psiquiatras;
- atendimento psicológico remoto;
- telemedicina;
- programas de saúde e bem-estar;
- canais de orientação e apoio emocional.
Mas existe uma pergunta importante: Os colaboradores sabem que esses recursos estão disponíveis?
Ter acesso previsto no benefício é diferente de saber que ele existe, onde encontrá-lo e como utilizá-lo.
Por isso, a comunicação também tem um papel importante.
Apresentar os recursos na integração de novos colaboradores, reforçar periodicamente os canais disponíveis e facilitar o acesso às informações são maneiras de ajudar a reduzir uma barreira que muitas vezes aparece antes mesmo do atendimento: não saber por onde começar.
O cuidado corporativo precisa ir além de setembro
Não existe uma única ação capaz de cuidar da saúde mental dentro de uma empresa.
A própria OMS recomenda uma atuação em diferentes frentes: prevenir riscos psicossociais relacionados ao trabalho, promover e proteger a saúde mental, preparar gestores e trabalhadores e oferecer suporte adequado às pessoas que enfrentam condições de saúde mental.
Na prática, isso passa por ambiente, relações, escuta, informação e acesso ao cuidado.
O Setembro Amarelo é uma oportunidade importante para colocar o assunto em evidência.
Mas talvez uma das principais reflexões que o mês possa deixar para as empresas seja justamente sobre o que acontece depois dele.
Continuar ouvindo. Continuar observando as condições de trabalho. Continuar falando sobre saúde mental sem estigmas. Continuar mostrando às pessoas onde elas podem encontrar apoio.
Como a Impactare pode apoiar sua empresa?
Os benefícios corporativos também podem fazer parte dessa jornada de cuidado, mas é importante entender quais recursos estão disponíveis e como eles podem ser melhor aproveitados pelos colaboradores.
A Impactare apoia empresas na gestão dos seus benefícios, ajudando a ampliar o acesso à informação, orientar os colaboradores sobre os recursos disponíveis e fortalecer ações de cuidado e bem-estar ao longo do ano.
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